Julio Adler e Bruno Bocayuva conversam com o renomado shaper brasileiro, Ricardo Martins. Na pauta, o atual estágio do surf em termos de desenvolvimento das pranchas, competição e mercado. Assuntos como a relação shaper x surfista, poli x epoxy, pranchas gringas x pranchas nacionais são abordados pelo shaper e comentadas pelos apresentadores. Portanto, cliquem no link e aproveitem a entrevista porque está muito boa!
quinta-feira, 5 de março de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
O EFEITO MEDINA
Pois bem, finalmente, após anos de espera, o Brasil tem o seu primeiro campeão mundial de surfe - Gabriel Medina. Ele é fruto de muito talento, dedicação, apoio familiar e de patrocinadores. E só! Então, por mais que o país reivindique para si esta glória, ela é, acima de tudo, fruto do esforço e abnegação de poucos.
Se temos um Gabriel Medina hoje, não podemos esquecer que este caminho começou a ser pavimentado há mais de três décadas. A estruturação do surf, os campeonatos e circuitos, os atletas que emergiram deste cenário ao longo do tempo e que serviram de inspiração para as novas gerações subsequentes também devem ser reverenciados neste momento.
Parece incrível, mas o nosso campeão emerge numa época de crise, onde verbas públicas, privadas se tornaram escassas para investimento no esporte. Mas o que será do surfe daqui pra frente? O surfe mundial também passa por mudanças radicais, com o WSL (World Surf League) se consolidando como uma nova forma de gestão. Como é tudo muito recente, fica difícil de julgar se teremos uma evolução, ou se o esporte enfrentará dificuldades advindas deste novo formato.
Para o surfe nacional, as coisas parecem estar se encaminhando para um retorno triunfal dos grandes eventos profissionais, já que nos últimos anos a coisa toda degringolou. O tal do "efeito Medina" parece ter reanimado o setor e já existe a possibilidade do ressurgimento do Circuito SUPERSURF, com quatro etapas este ano. Esperamos que isso não fique restrito aos eventos profissionais, pois há anos o surfe amador está padecendo de melhores investimentos. Não podemos esquecer que todo atleta inicia sua carreira em sua associação local, competindo em pequenos eventos que são o criadouro dos futuros campeões. Neste quesito, a FECASURF tem sido uma referência a nível nacional, com o já tradicional circuito catarinense amador.
Em termos de mercado, as pressões e as crises políticas e comerciais, internacionais e nacionais, podem comprometer um pouco a "onda" Medina, transformando ela numa mera marolinha. Mas isso é só especulação. Sejamos otimistas em meio a essa maré de pessimismo que assola o país e o mundo. Afinal, o surfe já mostrou no passado que poderia andar com as próprias pernas.
sábado, 26 de abril de 2014
STING - O GRANDE FERRÃO DA HISTÓRIA DO SURF
Ben Aipa é mais um daqueles sujeitos que deixaram sua marca na história do design das pranchas de surf. A famosa Sting (ferrão em português) foi objeto do desejo da galera dos anos 70's.
O site Surfline publicou uma matéria interessante, onde conta detalhes da criação e como foi a reação do mundo do surf àquela inovação. Vários ícones do surfe da época usaram o modelo e com suas performances ajudaram a estampar este design nas páginas de revistas e em filmes do período.
Confira a matéria no link abaixo e assista aos vídeos selecionados, que mostram o próprio Ben Aipa shapeando uma Sting enquanto conta um pouco da história do nascimento e do desenvolvimento deste famoso modelo e o seu piloto de testes mais famoso, Larry Bertlemann, considerado por muitos como um dos surfistas que mais influenciou o surf, baseado em manobras mais arrojadas.
Matéria do Surfline:
Vídeo com Ben Aipa:
Vídeo Larry Bertlemann 1:
Vídeo Larry Bertlemann 2:
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
SURF x VELOCIDADE
Toda vez que alguém encomenda uma prancha nova o shaper ouve a
mesma súplica: “queria que a minha prancha fosse rápida e solta”. Às vezes eu até brinco com o cliente, dizendo
que ele quer uma prancha sem quilhas...
Mas na verdade, essa situação é mais complexa do que parece. Para melhor entender o meu ponto de vista,
vou fazer uma breve retrospectiva histórica do desenvolvimento do surf nas
últimas três décadas.
Nos anos 70, o surf era desenvolvido sobre pranchas muito maiores
e grossas que as atuais. Na sua maioria
single fins (uma quilha). Havia muita
flutuação naqueles modelos, mas as manobras eram muito limitadas e lentas
(comparando com os dias atuais). Se
pudessem ver revistas da época, notariam que o porte físico dos surfistas era
bem diferente dos atuais. Tudo era mais
rústico e embrutecido. No final desta
década surgem as twin fins (bi quilhas), esboçando a primeira reação na direção
de um surf mais progressivo. Os grandes
expoentes dessa geração foram Gerry Lopez, Rory Russel, Shawn Thomson, Mark
Richards, Cheyne Horan e Reno Abelira entre outros.
Chegam os anos 80, e com eles a grande revolução das tri-fins
(três quilhas), criadas por Simon Anderson.
Testadas nos expressos da Indonésia e apresentadas à comunidade do surf
pelo próprio criador durante o tour daquele ano, estas verdadeiras máquinas de
moer ondas causaram o maior impacto do ponto de vista do aproveitamento da onda
em comparação com as suas antecessoras.
Ao mesmo tempo em que proporcionava maior velocidade, como as twin fins,
aliava maior segurança nas manobras mais críticas. O equipamento ficou mais refinado, assim como
os surfistas que se criaram nestes modelos.
Nomes como Hans Hedeman, Willy Morris, Joey Buran, Bud Llamas, Terry
Richardson, Tom Carroll e Tom Curren marcaram esse período.
Os anos 90 chegaram meio mornos.
Havia uma relutância no começo da década em relação aos avanços nos
designs das pranchas. Era o impacto do
pós-moderno afetando a comunidade surfística.
Muitos afirmavam que o surf havia chegado ao seu máximo e que tudo que
se fazia era nada mais do que usar velhas idéias com uma nova roupagem. Mas como a Fênix, o surf ressurge das cinzas
para provocar no mundo do surf a maior revolução técnica de todos os
tempos.
Mais uma vez, a necessidade por
velocidade foi a mola mestra desse salto qualitativo. Só que desta vez ela foi impulsionada por uma
geração de surfistas estilistas e radicais.
As necessidades criadas pelas manobras de última geração deram um novo
gás para os shapers e designers de plantão.
Toda a indústria do surf foi afetada.
Novos materiais como fibras mais leves e resistentes, blocos mais
refinados e até roupas de neoprene mais elásticas surgiram. Esta geração conta com surfistas do naipe de
Kelly Slater, Mark Occhilupo, Kalani Rob, the Iron’s Brothers, Hobgood
Brothers, Lopez Brothers e tantos outros brothers.
Chegamos aos anos 2000 e já estamos em 2013. As performances dos atletas ficam cada vez mais
espetaculares. Nunca se produziu tantos
vídeos de surf, que são devorados por uma legião de entusiastas, ávidos por
assimilar novos truques de seus ídolos.
Garotos de oito anos podem ser vistos tentando uma variedade de ollies,
aéreos e reverses, entre outras manobras.
A velocidade é extrema, como uma metáfora da era digital em que
vivemos. Mas o que é que tudo isso tem a
ver com você?
Por que você pede uma prancha que te dê mais velocidade ao seu
shaper?
Era uma vez um surfista chamado Donovan Frankenreiter. Ele era famoso por fazer um surf
descomprometido e alternativo. Um dia
ele resolveu surfar com velhos modelos no meio daquela galerinha que só queria
usar o que havia de última moda.
Resultado? Todos ficaram de boca aberta com a performance do rapaz que
fazia manobras de última geração num “toco” de 30 anos atrás. Moral da história? Será que é a prancha que
dá velocidade ao surfista, ou é o surfista que dá velocidade à prancha?
No próximo artigo, eu estarei abordando a questão da velocidade x
surf em detalhes mais práticos. Até lá...
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
DESENVOLVENDO UMA PRANCHA EM CONJUNTO COM O SHAPER
Situação
1 – Eu queria uma
prancha rápida e solta. Capricha!!!
Situação
2 – Eu queria uma
prancha diferente. O que você acha de
uma double wing swallow, com um concave no pé da frente, passando para um
double concave no pé de trás e seis canaletas na saída da rabeta???
Situação
3 – Eu queria uma
prancha com as medidas que eu vi da prancha do “fulano-de-tal”, na revista
“Influir”.
Eu
duvido que exista um shaper no mundo que nunca se deparou (ou se depara) com
uma, ou mais, dessas situações apresentadas acima. O surf evoluiu muito nas últimas duas décadas
no Brasil, mas certas coisas parecem não mudar nunca. È por isso que eu resolvi escrever este
artigo. Quem sabe não lanço algumas
sementes, para mudar um pouco essa realidade?
Mas é preciso derrubar alguns paradigmas, no intuito de melhorar o
relacionamento surfista/shaper e tirar mais proveito dessa relação.
A
primeira é a crença de que o shaper é um indivíduo infalível, uma espécie de
“guru”, que domina todos os conhecimentos relacionados à prancha de surf. O shaper é sim, um indivíduo com a habilidade
de transformar um bloco de poliuretano numa prancha, fazendo uso do
conhecimento acumulado através da experiência e do estudo das pranchas ao longo
do tempo e das ciências correlatas ao seu ofício (física, matemática, hidro e
aerodinâmica, química, resistência dos materiais, antropometria, ergonometria,
etc). Cada prancha é uma peça única,
fruto do estágio de desenvolvimento do shaper num dado contexto histórico e
cultural. Sendo assim, o shaper reflete
nas pranchas: a sua linha de pensamento (conceitos), as tendências que cercam o
seu entorno cultural (feedback da equipe de competição, satisfação do cliente,
as pranchas dos pros do WCT, novos materiais, a situação política e econômica
do país, etc).
O
segundo é também uma crença muito comum no meio surfístico: “a prancha que é
boa para um pro, é boa pra qualquer surfista”.
Não necessariamente! Cada
surfista tem características próprias.
Mesmo surfistas que têm estilos muito parecidos podem apresentar
diferenças grandes no design de suas pranchas.
Eu tenho um amigo que é fã incondicional do Occy e tenta surfar como
ele, mas o seu estilo é mais parecido com o do Tom Curren. Como equacionar um problema deste? Primeiro, temos um problema psicológico, onde
um indivíduo idealiza uma imagem de si mesmo.
Depois temos a imagem que os outros têm desse indivíduo. Por último, temos o shaper, que, independente
dos dois fatores anteriores, tem que se ater as reais necessidades do indivíduo
em questão para, só então, produzir a prancha ideal.
É neste ponto que começa a verdadeira relação entre surfista e shaper. Desenvolver o design ideal para um
determinado indivíduo é um trabalho que leva algum tempo. Sobre o shaper, já mencionei anteriormente que é o indivíduo responsável por transformar idéias em realidade, dentro de um
determinado contexto que o cerca. Mas
qual é a responsabilidade do surfista nessa hora? Como ele pode contribuir para melhorar os
resultados de tal relação?
Acho
que a palavra-chave é FIDELIDADE. Quando
se encomenda uma prancha pela primeira vez, a maioria dos shapers, não
conhecendo o surfe do cliente em profundidade, produz uma prancha mediana. Essa prancha será o referencial que o shaper
irá usar na hora de fazer a próxima prancha.
Mas o cliente é a parte mais importante nessa etapa, pois o “feedback”
fornecido por ele será primordial para os ajustes a serem feitos na nova
prancha. Pena que isso, em grande parte,
seja uma grande utopia...
A
maioria dos surfistas sofre de um mal chamado “imediatismo”. Esse mal impede, na maioria das vezes, que um
trabalho de desenvolvimento de uma prancha em conjunto seja concretizado. Não fossem os atletas das equipes de competição
e uns poucos realmente interessados no desenvolvimento do seu surf de uma forma
mais racional, o shaper não teria como avaliar os progressos do seu trabalho de
uma forma mais direta e objetiva.
Portanto,
na próxima vez em que você for encomendar uma prancha nova, converse com o seu
shaper, mas não chegue com idéias pré-concebidas. Tente expor a suas dificuldades, em vez de
suas virtudes. Tente conhecer mais sobre
a prancha e seu funcionamento, começando por guardar as dimensões básicas
delas. Com o tempo, talvez, você esteja
apto a chegar junto ao seu shaper e manter uma conversa mais produtiva na hora
de decidir qual vai ser a sua próxima “nave”.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
PRANCHAS PARA AS GAROTAS
Nos
últimos tempos a presença feminina no outside tem sido notada com certa frequência. As meninas deixaram a inibição de lado e
partiram com tudo na busca de um lugar ao sol, em meio aos marmanjos, antes acostumados
só a apreciar as gatinhas de bodyboard.
No meio dessa nova onda, tenho observado alguns fatos em relação ao tipo de
prancha que essas novas adeptas do surf estão usando.
A
grande maioria das meninas está com pranchas usadas (e beemmm usadas!). Como, na maioria dos casos, as meninas
começam a surfar numa idade mais avançada do que os meninos, isso pode levar a
certas dificuldades na hora de surfar.
Salvo algumas exceções, as meninas não têm o mesmo desenvolvimento
atlético que os meninos têm. E isso
parece ser um problema mais social do que físico. Em todo caso, pelo início tardio no surf, as
dificuldades encontradas pelas meninas em relação à remada e ao drop (ficar em
pé) são maiores do que nos meninos (meninas que iniciam com menos idade têm
menos dificuldades neste aspecto).
Neste
sentido, para minimizar estes aspectos, uma prancha para uma garota iniciante
deveria contemplar essas deficiências.
Como? Nós temos dois problemas:
um é de remada; o outro é de estabilidade.
A remada pode ser resolvida com um pouco mais de flutuação (espessura)
na prancha e a estabilidade com um incremento na área da base (basicamente,
onde se colocam os pés). Há! Você não pode encomendar uma prancha nova,
ainda! É cara e você não tem certeza se vai
querer continuar surfando após um tempo de experimentação? Então, preste atenção nestas dicas:
1
– Evite comprar pranchas muito velhas, geralmente estão muito pesadas;
2
– A prancha não precisa ser muito grande em relação ao seu tamanho (no máximo
um palmo maior que a sua altura);
3
– Verifique a espessura da prancha, evite bordas muito finas;
4
– Verifique a largura da prancha, principalmente na área da base. Quanto mais larga, melhor. Evite rabetas finas e estreitas (round pin).
Passado
o quesito “prancha”, vamos ao surf propriamente dito. Como em todos os esportes, o equipamento é
como se fosse uma extensão do corpo do atleta.
Sendo assim, quanto mais tempo você estiver com ele, mais entrosamento
você terá. Treine até quando não houver
onda. Pratique a remada nos dias de
flat. Treine o movimento de subir na
prancha no solo. Desenhe uma prancha no
chão e simule a remada e o drop. Apoie
as mãos na região do peito, procurando lançar o corpo para cima num movimento
explosivo. Evite agarrar as bordas
quando estiver fazendo este movimento no mar.
Para
terminar, ai vão mais uns toques:
-
Procure surfar mais afastada do crowd, para evitar acidentes.
-
Não pegue ondas muito pequenas, pois elas são mais difíceis de surfar e de
manter a estabilidade.
-
Procure estar – sempre – com alguém mais experiente por perto, pois ele(a) lhe
dará segurança e também vai ajudar a corrigir alguns erros normais nessa fase
inicial.
-
Por último, não esqueça de respeitar a prioridade da onda.
Boa
Sorte e Boas Ondas!!!
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
GO SHORTER, GO WIDER, GO AHEAD (Parte 2)
Não vou me estender mais sobre o assunto, só abri uma nova postagem porque acabei de ver uma publicação no site SURFLINE, contando a famosa expedição de Tom Curren para a Indonésia, na qual ele surfa com uma 5'7'' fish, shapeada por Tommy Peterson. Este foi um daqueles momentos chamados de "divisores de água" na história, e que acabam por influenciar toda uma geração, quebrando paradigmas e abrindo o mundo do surfe para novas experiências e novas tendências. Enjoy it!
Assinar:
Postagens (Atom)






































